Angra do Heroísmo 2026-03-05 16:47:29
O COFIT anuncia a suspensão da 20.ª Feira de Artesanato e Sabores Tradicionais por falta de apoios públicos, afetando cultura, turismo e economia da Ilha Terceira. Evento era marco internacional do FOLK AZORES, com impacto cultural, mediático e económico significativo.
O Comité Organizador de Festivais Internacionais da Ilha Terceira (COFIT) informa, com
elevado sentido de responsabilidade institucional e cívica, que se vê forçado a suspender,
no presente ano, a realização da 20.ª Feira de Artesanato e Sabores Tradicionais, evento
integrado no programa do FOLK AZORES e que, ao longo de duas décadas, se afirmou
como um dos mais relevantes instrumentos de promoção cultural, turística e económica
da Ilha Terceira e da Região Autónoma dos Açores.
Esta decisão não decorre de qualquer falha organizativa, nem de quebra de procura, nem
de ausência de parceiros internacionais. Resulta exclusivamente de um conjunto de
indeferimentos e suspensões de apoio financeiro por parte de entidades públicas
regionais, que inviabilizam a execução financeira do evento nos termos previstos e
contratualizados.
O CADA – Centro de Artesanato e Design dos Açores, maior patrocinador da iniciativa,
comunicou formalmente o indeferimento do apoio solicitado este ano, após longos anos
de apoio constante, o que inviabiliza a realização da 20.ª Feira de Artesanato e Sabores
Tradicionais.
Paralelamente, a Direção Regional do Turismo suspendeu o apoio enquadrado no Decreto
Legislativo Regional n.º 18/2005/A, de 20 de julho, diploma que regula o financiamento
público de iniciativas com interesse para a promoção do destino turístico Açores.
Estamos, assim, perante decisões políticas com consequências diretas, mensuráveis e
estruturais.
A Feira de Artesanato e Sabores Tradicionais não é um evento marginal no calendário
regional. É o espaço de contacto direto entre a comunidade açoriana e mais de uma
dezena de delegações internacionais, que aqui chegam por sua iniciativa, suportando os
próprios custos de deslocação, trazendo consigo artesanato, gastronomia, tradições e,
sobretudo, capacidade de difusão internacional da marca “Açores”.
A suspensão da Feira de Artesanato e Sabores Tradicionais significa:
- O único local privilegiado e criado para o efeito para a difusão cultural de todos os
grupos de folclore da ilha Terceira;
- A perda de um palco privilegiado de intercâmbio cultural efetivo;
- A redução do impacto mediático internacional associado ao FOLK AZORES;
- Um sinal negativo para parceiros estrangeiros que, ano após ano, escolhem os
Açores como destino cultural;
- Um enfraquecimento da estratégia de promoção turística baseada na
diferenciação cultural.
Mais grave ainda: estas decisões colocam em causa a própria realização do FOLK AZORES,
evento certificado por organizações internacionais ligadas à UNESCO e reconhecido no
circuito mundial dos festivais internacionais de folclore como uma referência de
qualidade, dimensão e organização.
O impacto do FOLK AZORES e da Feira de Artesanato e Sabores Tradicionais não se esgota
na vertente cultural. É um impacto económico direto e indireto:
- Taxas de ocupação hoteleira elevadas em plena época alta;
- Incremento significativo na restauração, comércio tradicional e serviços turísticos;
- Contratação de empresas locais nas áreas de som, luz, transportes, alojamento e
logística;
- Promoção espontânea junto de comunidades emigrantes e operadores
internacionais.
Ao longo dos anos, o evento tem contribuído para consolidar a imagem dos Açores como
destino cultural seguro, estruturado e com capacidade organizativa de dimensão
internacional. Retirar apoio estrutural a uma iniciativa com este histórico significa
fragilizar uma política pública que, até aqui, se afirmava como estratégica para o
desenvolvimento sustentável da Região.
O COFIT aguarda, neste momento, decisão da Direção Regional da Cultura relativamente
ao apoio solicitado, desconhecendo se serão adotadas idênticas medidas restritivas.
Contudo, a sucessão de suspensões já verificadas cria um cenário de instabilidade
institucional que não pode ser ignorado.
Foi já solicitado ao Senhor Presidente do Governo Regional dos Açores que intervenha
institucionalmente, reavaliando o impacto destas decisões e ponderando soluções que
impeçam que a Região perca um dos seus mais eficazes instrumentos de diplomacia
cultural, promoção externa e captação indireta de fluxos turísticos.
Não se trata apenas da suspensão de uma feira. Trata-se de uma opção política com
repercussões:
- Na credibilidade internacional dos Açores;
- Na confiança dos parceiros estrangeiros;
- Na estabilidade do setor cultural associativo;
- Na coerência da estratégia regional de promoção turística.
O COFIT reafirma que continuará a atuar com transparência, rigor e responsabilidade
financeira. Porém, não pode assumir sozinho o ónus de uma política pública que
reconhece o valor estratégico da cultura e do turismo, mas que, na prática, retira os
instrumentos necessários à sua concretização.
A Região Autónoma dos Açores enfrenta agora uma escolha clara: reforçar a sua posição
no mapa cultural mundial ou aceitar um retrocesso silencioso com consequências
económicas e reputacionais difíceis de reverter.