falta de transparência ao chumbar audição do Secretário Regional do Mar

    2023-06-06 17:09:11

PSD, CDS e PPM revelam falta de transparência ao chumbar audição do Secretário Regional do Mar sobre apanha de lapas

falta de transparência ao chumbar audição do Secretário Regional do Mar

Carlos Silva realçou a “falta de transparência” e a “tentativa de travar o esclarecimento dos Açorianos” e de “esconder o Secretário Regional do Mar e Pescas do Parlamento dos Açores”, por parte dos partidos que dão suporte ao Governo Regional.

O PSD, CDS-PP e PPM, juntamente com o deputado independente Carlos Furtado, chumbaram esta terça-feira um requerimento do PS para ouvir com urgência o Secretário Regional do Mar e das Pescas, Manuel São João, sobre as mais recentes polémicas na gestão da apanha da lapa.

Em causa um despacho do Governo Regional (PSD, CDS-PP, PPM, com o apoio da IL e do Chega) que permitiu a apanha das lapas apenas nas ilhas do Faial, Pico e São Jorge durante as festividades do Espírito Santo, em pleno período de defeso, que decorre entre 1 de Outubro e 31 de Maio, sendo proibida a apanha de lapas em toda a Região. A decisão do Governo Regional deixou de fora seis ilhas dos Açores: Santa Maria, São Miguel, Terceira, Graciosa, Flores e Corvo.

Sobre esta matéria, os socialistas pretendiam ouvir o Secretário Regional do Mar e Pescas, mas também a Federação das Pescas, a Associação de Apanhadores de Lapas do Pico e o Centro Okeanos, para compreender melhor, quer do ponto de vista científico, quer comercial, de que forma é que as medidas recentemente tomadas pelo Governo Regional impactam o stock de lapas.

À margem da Comissão de Economia, o vice-presidente do grupo parlamentar do PS, Carlos Silva, considerou que o chumbo da iniciativa do PS por parte do PSD, CDS-PP, PPM e do deputado independente Carlos Furtado, “torpedeia a democracia”, realçando que sobre esta decisão do Governo “não houve qualquer esclarecimento público” e que se “desconhece se foram ouvidos os parceiros do setor ou a comunidade científica, que acompanha há largos anos a evolução da espécie”.

Carlos Silva realçou que, nesta matéria, “nem os partidos se entendem”, uma vez que o CDS alegou que “foram ouvidos os parceiros do setor” e o PSD disse que a exceção “foi uma medida política e até experimental”.

“Esta decisão parece ter sido apenas um capricho político, para satisfazer alguns interesses que não o da comunidade científica ou dos profissionais do setor, sem qualquer racionalidade. Até porque o Espírito Santo existe em todas as ilhas dos Açores, mas a exceção foi criada apenas para três”, vincou.

Carlos Silva entende que se não há nada a esconder, o Parlamento dos Açores “deveria garantir a auscultação de todas estas entidades”, de forma a “clarificar todo o assunto”.

“O que nos importa é esclarecer cabalmente todo este processo e a direita impediu-nos de fazer justamente isso. Esta foi uma decisão discriminatória, que deixou de fora 6 ilhas dos Açores e isso merecia esclarecimentos urgentes e adicionais. A apanha de lapas de forma desregrada, avulsa, sem planeamento, pode colocar em causa a sustentabilidade desse recurso marinho, que é o sustento de muitas famílias nos Açores”, finalizou o vice-presidente do GPPS, Carlos Silva.